Natal.
Juras de harmonia,
de paz e alegria.
Passeiam-se vaidades,
enredam-se promessas
de um mundo melhor.
Nas ruas o encanto
esquece o pranto
dos horrores.
No horizonte
de um novo ano
anseiam-se glórias,
brindam-se as vitórias
e os males alheios…
As luzes brilham
numa cor que nos conquista,
e ofusca o discernir,
e na delonga da ocasião
turva-se a realidade
num sonho azul,
de lareiras acesas
e famílias felizes.
Agitam-se as cozinhas,
num frenesi
de sabores quentes
já descontentes
com a tradição.
Envaidecem-se carteiras,
as fartas
e as cheias de coisa nenhuma,
no impulso do fácil
que é agradar.
Porque ter mais
sempre compensa
o que se é cada vez menos,
e o que nunca se foi…
E assim é o Natal,
cheio de uma magia
recriada, deturpada,
infiel, cega e surda
aos gritos da verdade.
Quedam-se
as consciências
e repetem-se
demências
nos discursos
coloridos pela subtileza da forma,
mas incontidos de conteúdo
vil e viciado.
Natal,
uma época especial…
para o Homem revelar
a sua natureza,
cada vez menos humana.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

2 comentários:
Divino!!
Um adjectivo verdadeiramemte encorajador!!
Obgda... ;)
Enviar um comentário