sábado, 29 de novembro de 2008





Hoje o silêncio faz-me assim,

Como se de vida em mim

Apenas as horas de ti.

Tenho os olhos cansados


De te pensar com palavra

Que se conjugam nos tempos verbais

Do abismo da razão.

Já me permitira a tanto assim,

Mas nunca a noite se calara

Ao conselho simples do esquecimento

Sempre cálice dos meus tormentos.

Fomos da cor dos sentidos,

Agora sou da força de um sentimento

Que me anula convicção séria

De não sermos mais que apenas Assim,

na distância que nos oferecem

As horas após as nossas,

De ímpetos envaidecidos pelo desencontro

Em que nos temos.

Porque a tua distância

Nem o sal da nossa pertença tardia faz esquecer,

E permanecerei tua até que o perfume se apague

Das palavras que ousaste.




quarta-feira, 13 de agosto de 2008






Culpas e Demónios,

esmerados em noites

vitoriosas de um silêncio demente.

O meu cigarro consome

o resto das minhas alegrias,

partilho com ele o espaço de uma ausência

enquanto espero a culpa,

que de passo altivo e insolente

vem sempre privar comigo à noite.

Depois, os demónios.

Entram devagar e ocupam os melhores lugares da sala.

Ficam quietos,

basta-lhes o serão a voz da culpa.

Ela fala. O eco das suas palavras entranha-se

nas paredes brancas onde os demónios

reproduzem pequenos trechos de uma vida.

E eu fico ali,

passiva no protagonismo que me dá a noite

vazia de presente,

incrédula de um futuro diferente.

Pequenos aliados

ajudam a suportar estas presenças assíduas.

Um cigarro,

como se o fumo que lhe consumo

de mim leve alguns demónios.

Um copo cheio de um licor amargo,

fraudulenta sensação de se ausentar

para sempre a culpa.

Ficam sempre até eu recuperar

o discernimento

que por um momento desaparece

e me faz flutuar

pela sensação de recuperar

tudo o que perdi.

domingo, 6 de julho de 2008

No limiar do deslumbramento.
Prelúdios de um abismo,
do alto da razão
para as demências do coração.
Por quantas horas infindáveis
me dedico a tão estéril senda
pelas multidões de sonhos acesos…
Um Verão de vida desperta
as mais belas cores das ilusões
e nem as chuvas
arrefecem pensadas sensações,
nunca experimentadas, afinal
na lividez que lhes condena
a queda repentina à realidade.
Mesmo assim,
o encanto.
Sonho verbos para nós
e nem os antónimos
me interrompem
a esperança
de te ter.

terça-feira, 3 de junho de 2008




Gosto de ti,
inspiras-me as horas vagas.
Fazes-me pensar no que seria
se nos houvéssemos.
E é tão bom desenhar a perfeição
dos nossos encontros...

És a sensação por descobrir,
és o enigma da sorte.
Tivemo-nos à distância de um abraço,
do beijo embaraçado que ousaste.
E o silêncio ofegante dos nossos perfumes
cruzados na multidão?
Tanta coisa dissemos...
Mas tudo ficará por sentir...

Sei de ti
apenas o que me fazes sentir.
Gosto de ti,
porque me fazes sentir bem.
Gosto do desnorte do teu encontro,
das coisas que nos afastam,

dos silêncios que nos unem.


sábado, 17 de maio de 2008



Não dei um nome à minha miséria.
E tinha ela identidade,
como se de gente se tratasse.


Chamava-se ilusão.

Nunca quis mudar o mundo,
apenas um pequeno cerne de ideias.
Se outros as pensaram,
poderia eu reinventá-las,
dar-lhes a graça dos novos ventos.
Mas do norte,
fortes tempestades.
E já no alto mar, a navegação afundou.

Escassos sobreviventes,
vizinhos da mesma miséria.




sábado, 10 de maio de 2008


Aos escassos leitores deste blog, seria uma honra te-los presentes!

sábado, 12 de abril de 2008