quarta-feira, 13 de agosto de 2008






Culpas e Demónios,

esmerados em noites

vitoriosas de um silêncio demente.

O meu cigarro consome

o resto das minhas alegrias,

partilho com ele o espaço de uma ausência

enquanto espero a culpa,

que de passo altivo e insolente

vem sempre privar comigo à noite.

Depois, os demónios.

Entram devagar e ocupam os melhores lugares da sala.

Ficam quietos,

basta-lhes o serão a voz da culpa.

Ela fala. O eco das suas palavras entranha-se

nas paredes brancas onde os demónios

reproduzem pequenos trechos de uma vida.

E eu fico ali,

passiva no protagonismo que me dá a noite

vazia de presente,

incrédula de um futuro diferente.

Pequenos aliados

ajudam a suportar estas presenças assíduas.

Um cigarro,

como se o fumo que lhe consumo

de mim leve alguns demónios.

Um copo cheio de um licor amargo,

fraudulenta sensação de se ausentar

para sempre a culpa.

Ficam sempre até eu recuperar

o discernimento

que por um momento desaparece

e me faz flutuar

pela sensação de recuperar

tudo o que perdi.

1 comentário:

Fragmentos de Elliana Alves disse...

Lindo poema flor
parabéns querida...
bjssssssss e bom fds p vc.